A saúde mental numa guerra em contexto Urbano- Ukrania,Donetz

Os programas de saúde mental de apoio á crise psicológica, tomam moldes diferentes consoante o contexto, a populacao ou cultura envolvida.

Há um mês atrás fui contratada para definir um programa de saúde mental no campo de deslocados do Sudão do Sul, que ficou definido e em boas mãos. Contudo a rapidez com que o mundo gira, fez com que eu própria fosse deslocada para a Ukrania, de modo a dar apoio psicológico aos deslocados de guerra da Cidade de Donetz.

O distrito de Donetz (Донецьк) é a  região das minas de carvão e industria do ferro.

Donetz é mais conhecida por “City of Milion Roses” e tem mais de  975,959 habitantes. 

Atualmente cerca de 60% da cidade esta destruída e o fluxo de deslocados é muito elevado.

Os deslocados de Donetz, protegem-se em campos de férias, pequenos condomínios, com capacidade para alojar uma média de  200pessoas/condomínio e aguardam a possibilidade de poderem regressar ás suas casas, ainda antes do próximo inverno exigirá condicoes diferentes.

O Compasso de espera, o medo dos bombardeamentos, a instabilidade da situ acao, e até a confusão ideológica em que se encontram os habitantes desta cidade, testa a capacidade resiliente desta populacao e especialmente das famílias deslocadas.

A prioridade da minha intervencao, neste contexto (meio Europeu, meio Asiático) foca o apoio psicológico das equipas Médicas (enfermeiros, cirurgiões, médicos e atores sociais – psicólogos por exemplo) que se encontram no distrito, de modo a prevenir a interrupcao dos serviços de saúde, por motivos de  “burnouts“,   por exemplo ou falta de distribuicao de medicamentos.

Numa segunda fase é promover a Resilencia das crianças  e suas familias (capacidade de superar positivamente as adversidades das situacoes), através de uma intervencao ecossistemica e familiar.

Pois, estes deslocados, ao contrário de muitos outros contextos, deslocam-se em pequenos grupos familiares.

Como é que se promove a resiliencia neste contexto?

Através do foco nos factores protetores, e não de risco, e na expressão diária e emocional destas famílias, usando como facilitador e ate mesmo catalizador, um psicólogo formado neste tipo de intervencao.

Mais concretamente, a dinamizacao de workshops de grupo para guardiães da família,  de auto-estima, auto-suficiência, criatividade, empatia e confiança <span id=":1wd browse around this web-site.24″ class=”J-JK9eJ-PJVNOc” tabindex=”-1″>sao alguns dos momentos que preenchem os meus dias de trabalho neste país.

Ted Talk – TedXOporto 2014

Dia 8 de Março fui oradora em mais uma edição da TedXOporto.

Foi sem dúvida um privilegio fazer parte de um grupo de oradores tão inspiradores.

O painel em que me integrei tinha como titulo “Visceralidades”.
Falei sobre e minha experiência em Saúde Mental no contexto de Crise e Mudança.

Para os mais curiosos, aqui fica um pouco da Talk, até que Link seja publicado.

“Estavamos muito próximos da linha da frente e por isso ouviam-se constantemente e fortes bombardeamentos. Num dos bombardeamentos, eu abraço-me ao meu tradutor e nesse momento, reparo que o grupo coemça a rir e pergunta-me“ que raio faço eu ali se tenho medo?!” vejo que é o momento certo para lhes explicar que perante bombardeamentos o medo é uma resposta normal/adequada, recear pela vida, e que quando isto já não acontece, podemos estar perante uma reação mais desajustada.

Passo para a promoção de saúde e impacto da desumanização da guerra ao nível da saúde mental (reações normais e patológicas)…

“Sei que 10 chás depois, uma a uma as mulheres começam a vir falar-me de queda de cabelo e receio de ficarem carecas. Como em qualquer situação de crise, a tendência é o isolamento e este, talvez uma das bases de patologização. Cada uma destas mulheres vive intensamente o medo de ficar careca, sem saber que a sua amiga, irmã, vizinha também o vive, isolando-se, e tambem sem saber que aquela é uma reacção psicossomática do seu corpo, á exposição prolongada de stress. Era urgente unir estas mulheres, e por isso, combinamos no chá seguinte, que o tema seriam reações deste género, então na sessão seguinte, cheguei e disse, “em situações de guerras/crises é normal que o corpo da mulher se reajuste á exposição longa a bombardeamentos. Muitas mulheres perdem cabelo. Alguma de vos sente que pode estar a ficar careca? 40 olhinhos assenaram.

Era então altura para falar de algumas estratégias para reduzir estes sintomas.
Como as burcas e os cabelos estavam na ordem dos nosso dias…”

Seminário sobre a Intervenção na Crise e Saúde Mental

Hoje, dia 24 de fevereiro, a saúde mental esteve mais uma vez na ordem do dia.
Integrado na Amadora Resiliente, a ECRE (uma associação em sem fins lucrativos) tomou a iniciativa de convidar vários especialistas da área da saúde mental e intervenção da crise (da protecção civil ao responsável pela saúde mental em situações de emergência) a juntarem-se para debaterem estratégias de acção e implementação neste tipo de cenários (catástrofes ou crises) de modo a conseguir-mos estar preparados caso algo aconteça.
Eu fui uma das oradoras e fui falar da implementação de um programa de saúde mental no terramoto do Irão, de modo a poder contribuir com a componente prática deste seminário.

Da formação de guardiãos de saúde, para a necessidade de um sistema de referencia da comunidade para o sistema nacional de saúde, foram alguns dos pontos focados.

Foi sem dúvida um previlégio estar presente numa iniciativa arrojada que juntou cerca de 50 pessoas numa manha solarenga, na Amadora.