Implementação do programa de Apoio às Cheias – Saúde mental das equipas médicas, Brasil

Em 2009 fui chamada a fazer uma intervenção na Região Serrana do Rio de Janeiro, na sequência das cheias, devido ao excesso de chuvas.
O pedido de apoio surge pelo próprio governo Brasileiro, no momento em que Dilma é eleita presidente do país e se confronta com o facto de não haver um plano de intervenção em catástrofes naturais pronto a ser acionado.
Após a definição do programa de saúde mental, que pudesse ser customizado e usado em qualquer tipo de situação de crise, demos início à sua implementação.
Priorizando os trabalhadores da área da saúde do governo (médicos, enfermeiros, psicólogos e até mesmo logísticos) pois a estes cabia a responsabilidade de dar continuidade aos diversos serviços, estando tambem afetados pela calamidade.
O apoio psicológico desta população (trabalhadores da área da saúde) era urgente, e com a agravante de se tratar de uma população que, por passar maioria do seu tempo a cuidar de outras pessoas, é comum “esquecerem-se” de cuidar de si, chegando mesmo a ignorando os seus próprios problemas ou emoções.
O contexto de trabalho de equipas da área da saúde aciona um stress especial, como por exemplo:

1. Em situações de desastre natural ou conflito armado, é quase que um requisito que o RH da área da saúde ignore as suas próprias necessidades, de modo a conseguir dar apoio a outras pessoas que tenham sido afetadas.

2. Comummente há um confronto com situações de morte, o RH confronta-se com emoções como a tristeza ou a zanga, facto que acaba por ter que ser reduzido/ignorado de modo a não condicionar a atuação do mesmo.

3. Também são frequentemente confrontados com histórias traumáticas (vitimas de violência, violações, raptores, mortes..etc..) e por isto podem desenvolver serias reações emocionais face aos seus clientes.
Se a saúde mental não for cuidada, estes fatores (entre outros) podem afectar o bem estar do RH e da sua própria performance. Facto que nestas situações (crises) é uma catástrofe, por si só.

Assim, torna-se imperial, que os atores da área medica, tenham consciência da saúde mental e capacidade para pedir ajuda no momento certo. Sem que isso possa significar um sinal de fraqueza ou pouco compromisso com o próprio trabalho.
Se na área da saúde mental a confidencialidade é um dos pilares, tratando-se de saúde mental no contexto da saúde, a sua importância é redobrada
E foi dando especial atenção às equipas das estruturas médicas que demos início a mais uma intervenção na crise.

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