HIV-SIDA e a Saúde Mental, Moçambique

 

A saúde mental de alguém com diagnóstico de HIV-Sida pode ser importante em dois momentos diferentes: Num primeiro momento, aquando o confronto com o diagnóstico positivo da doença ou numa segunda fase, aquando o confronto com a realidade diária da doença, do sofrimento de contacto com a morte.

Numa primeira fase, muitas pessoas reagem com choque e negação. Pensamentos como “Não pode ser verdade…” são frequentes.

As emoções vão desde a tristeza à zanga. Podendo ir até à depressão, semanas após o diagnóstico.

Estas reações iniciais podem ser amenizadas através de uma simples partilha de informação sobre a doença em geral e os diversos estilos de vida a adotar.

Posteriormente, em fases mais avançadas da doença, o apoio psicológico deve ser combinado com tratamento para as doenças oportunistas, gestão da dor, dicas práticas sobre a gestão de mobilidade e funcionamento do dia-a-dia caseiro. E promovendo o apoio psicológico aos familiares do beneficiário do serviço.

Foi centrada nestas questões que actuei no Hospital Central de Maputo, em Moçambique.

A saúde mental nos cuidados primários de saúde – Zimbabué

 

Os serviços de saúde primários são os serviços, onde algures no sistema médico, a pessoa recorre com uma primeira queixa medica click for source.

A Intervenção dos Médicos Sem Fronteiras no Zimbabué era um programa de saúde primário de apoio ao HIV-Sida, com 12 clinicas móveis distribuídas pelo distrito de Murambinda, que pouco ou nenhum apoio recebia do governo.

O programa de saúde mental, coordenado por mim, era composto por 16 conselheiros e dois promotores de saúde.

Cabia-lhes fazer sensibilização do que é HIV-SIDA, quais os comportamentos a adotar de modo prevenir a contaminação da doença (que em 2008, chegava já aos quase 70%).

Havia que dar formação este grupo de conselheiros e garantir que diariamente se visitavam as 12 clinicas do distrito. De modo a dar apoio psicológico individual e em grupo á população em necessidade.

Qualquer perturbação de saúde mental pode ser recebida neste tipo de contexto, contudo há dois tipos de perturbação que são comuns, depressão e ansiedade, elevado consumo de álcool, e queixas psicossomáticas (sintomas físicos, sem explicação física, mas por causas psicológicas).

Depois da tempestade, vem a bonança

O estado de desequilíbrio emocional acontece, normalmente, quando se dá o confronto com o facto dos nossos antigos recursos já não contribuírem para o nosso sucesso.

Como acontece, por exemplo, quando se fica desempregado (o cenário mudou e é agora necessário agir de modo diferente), quando nos confrontamos com um divórcio ou temos um diagnóstico de doença crónica, quando ainda descobrimos que, efetivamente, nunca gostamos da nossa profissão ou que “o que era suposto” nunca aconteceu…

Poderia enumerar uma lista de situações que nos levam a sentir em crise, desesperados, desesperançados e mesmo assim nunca conseguiria chegar a todas.

Cada uma destas situações, à sua maneira, requer uma rápida capacidade de adaptação ao novo, à mudança. Mudança de ponto de vista, de crença, de casa, de marido ou emprego.

Indo à origem da palavra da Crise, esta vem do grego e significa “decisão”, “eu decido, separo, julgo” mas segundo os chineses, “crise” significa “Oportunidade, ponto de mudança”. Face ao novo, é necessário que se faça um reajuste, uma desconstrução e reconstrução de conceitos e é nesta fase que o adulto, habituado a saber “gerir a sua vida” pode entrar em desequilíbrio emocional.

Num primeiro momento, o que define então um bom gestor de crises emocionais?

  1. 1.       Identifica o que foi perdido – por vezes é o mais complicado, por se estar ainda em fase de negação do mesmo.
  2. 2.       Identifica o que mudou – pode ir do estilo de vida, à ausência de alguém, a bens materiais…
  3. 3.       Identifica o que se ganhou – sempre que há uma perda, há um lado positivo dessa perda, que acaba por ser menosprezado, por estarmos demasiadamente envolvidos.

Num segundo momento é benéfico objetivar a mudança que se pretende. Usualmente em consultório o que se verifica é que as pessoas estão tão envolvidas na sua dor que têm muita dificuldade em conseguir ser objetivas quando se tratam de mudanças de comportamento.

Para tal há algumas dicas que podem facilitar este processo como:

– Tente recolher o máximo de informação sobre a nova situação ou condição (a que está ou aquela em que gostaria de estar);

– Verifique a disponibilidade de recursos (internos/externos) e/ou serviços, para que consiga ver se efetivamente há condições para mudar. Por vezes confrontamo-nos que não temos motivação, e é importante tentar entender porquê;

– Quais são as influências externas e internas que esta mudança vai ter nas nossas vidas?

– Faça uma lista das consequências positivas e negativas que a adoção do novo comportamento vai ter na sua vida.

Como diria a Clarice Lispector “Dê os seus sapatos velhos…veja o mundo de outras perspetivas…”.

Burnout

Sente-se com falta de energia para encarar mais uma semana de trabalho? Tem sido assim nos últimos meses?

Aqui ficam algumas formas de distinguir os sinais de “burnout” do simples “stress” do dia a dia e algumas técnicas de auto-ajuda para dele recuperar.

Neste momento de crise económica muita gente é confrontada com mais volumes de trabalho e consequentemente com a ausência de estratégias internas para lidar com a situação. Esta carência de novas estratégias, normalmente, conduze a elevados níveis de “stress”.

A reação ao “stress”, por sua vez, por ser um assunto tão badalado, tende a ser de censurar, ignorar ou ate menosprezar.

Contudo, melhor estratégia que ignorar, será conseguir identificar os seus níveis de “stress” e regular os possíveis impactos nas suas vidas.

 Eis uma proposta.

 Por definição, o “stress” é uma reação adequada à ação diária do seu trabalho (agendas agitadas e completas e o pouco tempo impõem a ação) já o excesso de “stress”, quando estendido no tempo, de forma continuada e intensa, tem o nome de “burnout” ou esgotamento energético físico e mental.

 Descrevo alguns Sintomas de “burnout” de modo a permitir a sua identificação:

  • Os Ideais demasiado megalómanos, difíceis de alcançar; o Cinismo; os Sentimentos de traição por parte da organização, do governo ou das grandes estruturas; o Sentimento de desânimo/perda de espirito ou desesperança; a Negligencia das necessidades físicas e/ou psicológicas (não dormir, comer ou isolamento social); a Desconfiança sobre os colegas e/ou supervisores/coordenadores; O comportamento anti-social (não tem vontade de estar com ninguém, dos amigos à família, como se ninguém o entendesse reacções agressivas ou exageradas); O Cansaço excessivo e/ou Falta de energias (agitação alta, mas sentimento de cansaço mental, mesmo nas primeiras horas da manha, parece que já está demasiado cansado); a Incapacidade de concentração (entre outros, falta de memória); a Ineficiência em ralação a tarefas que executava anteriormente; os Sintomas frequentes de doenças físicas (aquela gripe que não passa, a gastrite ou enxaquecas); a Dificuldade em dormir/insónias (ou agitação elevada) e/ou um aumento excessivo de consumos como álcool ou tabaco.

 Nesta fase o que se propõe, em primeiro lugar, é conseguir identificar se tem alguns destes sintomas, a sua duração e intensidade. Claro que estes sintomas são genéricos, e cada pessoa pode apresentar outros que em nada de assemelhem a estes.

O importante será conseguir reconhecer se tem alguns sintomas diferentes do seu comum, que têm condicionado a sua vida profissional (ou social), e o impedem de ter melhor qualidade de vida.

Num segundo momento, há uma serie de técnicas de auto ajuda que podem facilitar estes períodos mais críticos. Como por exemplo:

  • Relembrar-se que o excesso de trabalho conduz a uma serie de reações normais, o importante é que as identifique e partilhe, mesmo que se tratem de sentimentos estranhos ou assustadores;
  • Prestar atenção ao seu corpo e reparar nas varias tensões. Procure descobrir exercícios de respiração e/ou relaxamento que se adequem ao seu estilo de vida e tente relaxar as tensões.
  • Identifique alguém em que confia, no seu ambiente de trabalho, e fale sobre as suas frustrações. O facto de partilhar com alguém é organizador e acima de tudo conduz a uma reorganização do que sente;
  • Tome especial cuidado consigo. Obrigue-se a comer e dormir diariamente ao mesmo horário. Este ritmo rotineiro permite ao seu organismo reorganizar-se e equilibra-se ao ritmo natural;
  • Limite o consumo de tabaco e álcool, e promova um exercício físico adequado aos seus gostos. O exercício físico vai contribuir para o desbloqueio das tensões não só físicas como psíquicas;
  • Se tiver dificuldade em concentrar-se, limite-se a executar as atividades rotineiras. Não estipule objetivos exigentes, pois em casos de “burnout” até a rotina requer demasiado gasto enérgico. Partilhe a sua situação de incapacidade de aceitar mais tarefas, com os seus supervisores;
  • Não se automedique. Procure o apoio dos profissionais de saúde;
  • Evite pontos de vista perfeccionistas ou demasiado exigentes, até que recupere do seu “burnout”, os seus pontos de vista poderão ser destorcidos. Aguarde!

De modo geral, quanto mais cedo distinguir o “stress” do dia a dia do “burnout”, mas fácil será a prevenção de casos mais incapacitantes a nível da funcionalidade profissional/familiar.

Contudo, em qualquer altura que identifique que algo não está a funcionar consigo, procure ajuda, apoiado conseguirá mudar mais facilmente!

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