Casa do Vapor: A avaliação de Impacto Social de um projecto

Quando se fala em projectos de impacto social, há todo um mundo metodológico a explorar.
Da identificação do problema, à viabilidade, sustentabilidade, piloto ou crescimento.
Na definição do projecto, mais difícil que a solução que encontra-mos para determinado problema, é a identificação do problema a ser resolvido.
No Bootcamp do IES (Instituto de Empreendedorismo Social) usa-se a frase do Einstein para expressar esta realidade ” Se eu tivesse uma hora para resolver um problema, eu gastaria 55 minutos a pensar sobre o problema e 5 minutos a pensar em soluções”.

Neste momento estou a fazer uma avaliação de impacto social, fase complexa quando se fala na área social, pois se por um lado é importante sabermos quanto se gasta para mudar a vida de alguém, a mensuração desta mudança é sempre subjectiva, por estarmos efectivamente a falar de pessoas e suas dinâmicas sociais e humanas.
Como medimos a felicidade? A auto-estima? o associativismo?
Por mais escalas, ferramentas que existam, a sua selecção é difícil, pois todas elas parecem não representar na integra o que ali se passou.

Na avaliação de impacto do Projecto da Casa do Vapor, estou neste momento nessa fase, a selecção entre o SIMPLE, O SROI (que me parece sempre uma ferramenta fria e pouco humana, embora muito eficaz para avaliação da sustentabilidade) ou o Prove It.
Em breve mais informação sobre os resultados.

https://www.facebook.com/casa.dovapor.9

Na sequência de mais uma apresentação da Peça de Teatro DesConstroi, desta vez integrado no Simpósio de Voluntariado da Universidade Nova de Economia de Lisboa a Peça “VouLuntÁrio” é importante dar a conhecer esta poderosa ferramenta de transformação social nas empresas ou nas Universidades!

As de Peça de Teatro DesConstroi são peças de teatro inspiradas na metodologia do Teatro Forum, de Augusto Boal, e sempre inspiradas em dilemas da vida real. Normalmente são os próprios grupos que partilham seus dilemas com a equipa de encenação.

O que é: Uma Peça de Teatro interactivo sobre os dilemas dos colaboradores da empresa e onde o público é convidado a debater e participar (espec-actor)

Como: A Peça de teatro representa dilemas reais dos departamentos (3 a 4 cenas), na qual há um protagonista que não consegue ser bem sucedido na resolução. O público é convidado a subir ao palco, e dar respostas alternativas aos dilemas apresentados, tendo em vista a sua resolução

Porquê: Porque acreditamos que a tomada de consciência é o primeiro passo para a mudança de atitude e que através do Teatro Fórum conseguimos retratar o impacto de situações que requerem mudança e provocar acção do público.

Objectivos:
1.Despertar os colaboradores para o impacto que os dilemas profissionais podem ter nas suas vidas e consequentemente melhorar a atuação;
3.Demonstrar o impacto que cada um de nós pode ter na resolução de dilemas que parecem não ter solução;
4.Abrir o debate entre os colaboradores, fortalecendo a partilha e consequentemente as relações humanas das equipas

Troque os Jantares de Natal por uma dinâmica de grupo que fortalece o seu grupo.

Empreendedorismo: Transformar o Mundo, passe de Sonhador a Visionário!

O empreendedorismo social (ou não) é um tema em voga, e por muitos debatido.

Esta semana o IES (instituto de Empreendedorismo Social) lançou mais um livro, que na minha opinião, nada mais é que uma excelente ferramenta para os sonhadores se poderem transformar em visionários “Transformar o Mundo”

Como assim?
Simples, neste manual encontra-mos um modelo estruturado, fácil e interactivo, que nos ajuda na elaboração de um projecto com impacto social.
Cada capitulo é completo com uma ficha de exercícios que ao ser preenchida nos eleva a mais uma fase do “nosso” projecto.

Se ser empreendedor é ter a coragem de sonhar, sem nunca esquecer de celebrar os momentos de vitória, então porquê ter medo de arrojar e criar projectos que nos apõem nesta fase de mudança e instabilidade?

Implementação do programa de Apoio às Cheias – Saúde mental das equipas médicas, Brasil

Em 2009 fui chamada a fazer uma intervenção na Região Serrana do Rio de Janeiro, na sequência das cheias, devido ao excesso de chuvas.
O pedido de apoio surge pelo próprio governo Brasileiro, no momento em que Dilma é eleita presidente do país e se confronta com o facto de não haver um plano de intervenção em catástrofes naturais pronto a ser acionado.
Após a definição do programa de saúde mental, que pudesse ser customizado e usado em qualquer tipo de situação de crise, demos início à sua implementação.
Priorizando os trabalhadores da área da saúde do governo (médicos, enfermeiros, psicólogos e até mesmo logísticos) pois a estes cabia a responsabilidade de dar continuidade aos diversos serviços, estando tambem afetados pela calamidade.
O apoio psicológico desta população (trabalhadores da área da saúde) era urgente, e com a agravante de se tratar de uma população que, por passar maioria do seu tempo a cuidar de outras pessoas, é comum “esquecerem-se” de cuidar de si, chegando mesmo a ignorando os seus próprios problemas ou emoções.
O contexto de trabalho de equipas da área da saúde aciona um stress especial, como por exemplo:

1. Em situações de desastre natural ou conflito armado, é quase que um requisito que o RH da área da saúde ignore as suas próprias necessidades, de modo a conseguir dar apoio a outras pessoas que tenham sido afetadas.

2. Comummente há um confronto com situações de morte, o RH confronta-se com emoções como a tristeza ou a zanga, facto que acaba por ter que ser reduzido/ignorado de modo a não condicionar a atuação do mesmo.

3. Também são frequentemente confrontados com histórias traumáticas (vitimas de violência, violações, raptores, mortes..etc..) e por isto podem desenvolver serias reações emocionais face aos seus clientes.
Se a saúde mental não for cuidada, estes fatores (entre outros) podem afectar o bem estar do RH e da sua própria performance. Facto que nestas situações (crises) é uma catástrofe, por si só.

Assim, torna-se imperial, que os atores da área medica, tenham consciência da saúde mental e capacidade para pedir ajuda no momento certo. Sem que isso possa significar um sinal de fraqueza ou pouco compromisso com o próprio trabalho.
Se na área da saúde mental a confidencialidade é um dos pilares, tratando-se de saúde mental no contexto da saúde, a sua importância é redobrada
E foi dando especial atenção às equipas das estruturas médicas que demos início a mais uma intervenção na crise.

Teatro Fórum: Uma Ferramenta artística de transformação social

Em 2009 no Rio de Janeiro, fiz uma especialização em teatro do oprimido, no Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro (C.T.O. Rio) uma metodologia de transformação social fortíssima.

Augusto Boal (fundador do C.T.O) o criador do teatro do Oprimido nos anos 70, e em 2009 nomeado (pela Unesco) como embaixador mundial do teatro, desenvolveu durante o seu exilio politico de 15 anos, experiências teatrais merecidas do reconhecimento internacional, de crítica, de pesquisadores e do meio teatral.

As diversas técnicas de Teatro do Oprimido são hoje objetos de tese de mestrados e/ou doutoramentos, em muitas universidades do mundo.

Para A. Boal ” Ser cidadão não é viver em sociedade, é transforma-la” e para tal o engenheiro químico, posteriormente teatrólogo, diretor, dramaturgo, ensaísta, e professor, desenvolve uma serie de técnicas, das quais qualquer cidadão se pode apropriar para alterar a sua sociedade, meio, comunidade, bairro ou jardim.

A inovação desta metodologia, em relação ao teatro mais convencional, é que o grupo de actores representa, em palco uma temática que envolve um dilema, dilema que condiciona a acção de um dos protagonistas, que luta para atingir um objectivo e acaba por não conseguir (em T.O. dilema=Opressão).
E é neste momento que o público é convidado a entrar em acção, e depois de ter aquecido, o expecta-actor pode subir ao palco e dar uma resposta alternativa ao dilema vivido pelo protagonista que fracassou anteriormente no seu objectivo, abrindo espaço para um debate/Forum, sobre o que está em causa ou direi, em Palco,

Augusto Boal dizia “Vamos brincar ao teatro, como crianças, até que um adulto nos obrigue a ir para a vida real” pois acredita que através da representação dramática (em ambiente protegido) dos dilemas sociais, há uma consciencialização do tipo de respostas sociais que são dadas, tal como do impacto que temos, como indivíduos, na mudança das mesmas, e consequentemente na sociedade.

O Teatro do Oprimido pode ser uma excelente ferramenta de reflexão, questionamento, debate e transformação social, das comunidades, grupos, jardins ou organizações